quarta-feira, 18 de abril de 2018

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Workshop de Verão 2018

Nesta semana aconteceu o Workshop pedagógico de verão do UNIFEB.


Organizado pelo NAPe (Núcleo de Apoio Pedagógico) e NEaD (Núcleo de Educação à Distância), como o apoio da Pró-Reitoria de Graduação, o evento contou com as seguintes oficinas, elaborada pelos próprios professores do câmpus:

  • Mapas Mentais (Profa. Caren Studer);
  • Sala de Aula Invertida (Profa. Caren Studer);
  • Utilização do YouTube como recurso didático (Prof. Norberto Amsei);
  • Montando apresentações no Prezi (Prof. Norberto Amsei);
  • ClassOut: utilizando o Moodle como ferramenta (Prof. Juliano Osório da Silva).

Com a participação dos professores, as oficinas tiveram um caráter prático para que estes conhecessem algumas ferramentas tecnológicas para serem utilizadas dentro e fora das salas de aula.

As apresentações de duas das oficinas oferecidas podem ser visualizadas clicando nos links abaixo:


Qualquer dúvida, deixem nos comentários...

Bom proveito!!

sábado, 30 de setembro de 2017

Sala de Aula Invertida (Flipped Classroom)

Já ouviu falar do conceito de Sala de Aula Invertida?

Assista ao vídeo abaixo para conhecer essa metodologia ativa de aprendizagem.





Flipped Classroom (FC) ou sala de aula invertida é um modelo que tem suas raízes no ensino híbrido. O ensino híbrido, também chamado de ensino misturado, combinado ou mesclado, é popularmente conhecido como blended learning ou b-learning, e teve seu conceito desenvolvido a partir de experiências e-learning abrangendo a aprendizagem baseada na web ou internet.

Para Andrea Ramal, diretora do GEN Educação “A metodologia tradicional deixa o aluno num papel passivo, simplesmente ouvindo as explicações do professor. Ao inverter esse modelo e fazer com que o aluno assista às aulas fora do ambiente da escola ou universidade, há um aumento na presença e participação em sala de aula”.

A aprendizagem invertida é entendida como uma abordagem pedagógica na qual a aula expositiva passa da dimensão da aprendizagem grupal para a dimensão da aprendizagem individual, transformando-se o espaço em sala de aula restante em um ambiente de aprendizagem dinâmico e interativo, no qual o facilitador guia os estudantes na aplicação dos conceitos. Há uma diferenciação entre os termos "sala de aula invertida" e "aprendizagem invertida", pois inverter a aula pode, mas não necessariamente, levar a uma prática de aprendizagem invertida. É provável que muitos professores já tenham invertido suas classes ao pedir aos alunos que lessem um texto ou assistissem a um vídeo, com materiais adicionais ou que, ainda, resolvessem problemas prévios antes da aula. No entanto, para se engajar na aprendizagem invertida, os professores devem incorporar quatro pilares fundamentais em sua prática, que são sintetizados na sigla ͞F-L-I-P.

A sala de aula invertida prevê o acesso ao conteúdo antes da aula pelos alunos e o uso dos primeiros minutos em sala para esclarecimento de dúvidas, de modo a sanar equívocos antes dos conceitos serem aplicados nas atividades práticas mais extensas no tempo de classe (BERGMANN e SAMS, 2016). Em classe, as atividades se concentram nas formas mais elevadas do trabalho cognitivo: aplicar, analisar, avaliar, criar, contando com o apoio de seus pares e professores.

Este ano, tive a oportunidade de estar presente no I FlipCon Brasil, na sede do Santander, na cidade de São Paulo, onde o próprio Jonathan Bergmann palestrou. Além de adquirir seu livro, foi possível trocar umas poucas palavras com ele!! Estava presente também Andrea Ramal, colunista do g1.com e diretora do GEN Educação.
Foto com Jonathan Bergmann e Andrea Ramal

Referências:
BERGMANN, J.; SAMS, A. Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem. Rio de Janeiro: LTC, 2016.

SCHMITZ, E. X. S. Sala de aula invertida: uma abordagem para combinar metodologias ativas e engajar alunos no processo de ensino-aprendizagem. (e-book). Dissertação de Mestrado da Universidade Federal de Santa Maria (2016). Disponível em: http://coral.ufsm.br/ppgter/images/Elieser_Xisto_da_Silva_Schmitz_Disserta%C3%A7%C3%A3o_de_Mestrado.pdf. Acesso em: 30/09/2017

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Etanol, combustível limpo?

Em nossa região, olhando estas imagens, já podemos prever o que vai acontecer: certamente vai ter de lavar todo o quintal por conta da fuligem que cairá!


A queima da cana-de-açúcar é utilizada para facilitar a colheita manual, já que automatizar a colheita requer altos investimentos e altas capacidades operacionais...em outras palavras, "sai caro". Entretanto, a prática da queimada trás diversos danos à saúde e ao meio ambiente. A lei 11.241 de 2002 trata da redução queima da palha da cana-de-açúcar de forma gradual.


A legislação prevê planos diferenciados para áreas mecanizáveis (maiores que 150 hectares e declividade menor ou igual a 12%). Nesse caso, o prazo para eliminação gradativa das queimadas prevê: 20% de redução imediata da área cortada; 30% a partir de 2006; 50% a partir de 2011; 80% a partir de 2016 e 100% até 2021.

As áreas não-mecanizáveis (menores que 150 hectares ou declividade maior que 12%) e os locais com estruturas de solo que impedem a mecanização têm os seguintes prazos: 10% de redução a partir de 2011; 20% a partir de 2016; 30% a partir de 2021; 50% a partir de 2026 e 100% até 2031.

Além disso, a lei proíbe queimada a um quilômetro do perímetro de áreas urbanas, reservas indígenas, e exige dos plantadores um planejamento anual que deve ser entregue à Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB).

É claro que a pena para o descumprimento da Lei não sai barato. Dependendo das condições, a empresa responsável pode arcar com valores de R$ 50.000,00 a R$ 200.000,00 por dia. E segundo informações, essa pena é valida também para incêndio criminoso. Resta saber se estas penas estão realmente sendo aplicadas.

No período do ano em que nos encontramos, com a baixa umidade relativa do ar, os prejuízos com as queimadas são inúmeros!

Pessoas com asma sofrem com as
frequentes queimadas
Segundo o artigo de Helena Ribeiro (2007), os estudos das condições atmosféricas adversas, provocados pela queima da palha da cana-de-açúcar, as crianças, idosos e pessoas com asma são os mais afetados pela queimada da palha da cana e têm como conseqüência maior demanda do atendimento dos serviços de saúde. Até então, os estudos com cana tinham preocupação, sobretudo, com os trabalhadores no processo produtivo (cortadores de cana) que mostrou que estes apresentavam riscos mais elevados de câncer de pulmão em conseqüência da queima da folhagem. 

Crianças são as principais vítimas
das queimadas
Nas queimadas, a combustão é incompleta, com formação de compostos que não foram totalmente oxidados e irritantes ao sistema respiratório e, em alguns casos, carcinogênicos. Pesquisadores afirmam que o material particulado fino alcança os alvéolos e em grandes concentrações pode entrar na corrente sanguínea ou ficar alojado nos pulmões, resultando em doenças crônicas como enfisema. Vapores orgânicos tóxicos como HPA são possivelmente carcinogênicos. O monóxido de carbono pode causar hipóxia, ao prevenir o sangue de carregar oxigênio suficiente.

Ainda segundo a pesquisadora, enquanto a poluição atmosférica aguda pode desencadear infarto do miocárdio em horas ou dias nas pessoas mais susceptíveis, a exposição crônica a poluentes aumenta o risco de doenças cardiovasculares que podem estar relacionadas à inflamação pulmonar crônica. Sendo assim, as queimadas de cana teriam simultaneamente os dois efeitos: poluição atmosférica aguda nas áreas próximas e poluição atmosférica difusa em longo prazo numa escala regional.

Se o processo de obtenção de etanol ficasse como mostrado na Figura abaixo, seria ideal.

A cana-de-açúcar seria colhida sem queima. O caldo de cana passaria pelos processos químicos necessários até a obtenção do etanol, que quando queimado no motor do automóvel, liberaria COque voltaria para a planta no processo de fotossíntese. Esse seria o ciclo do carbono, com balanço de massa igual a zero.

Mas não é assim que funciona!! É bem mais complicado...pois entra o nitrogênio na conta!! 

Como quase todo tipo de agricultura intensiva, a produção de cana-de-açúcar exige a aplicação de fertilizantes à base nitrogênio, como o nitrato de amônio. Entretanto, essa aplicação é extremamente ineficiente, pois somente 30% do nitrogênio dele é absorvido pela cana. O restante acaba se perdendo no solo, na água e no ar.

Tudo começa quando, aproximadamente 100 kg de fertilizante nitrado são adicionados, por ano, no solo para plantio da cana. Parte deste é usado para o desenvolvimento da planta mesmo. Mas uma parte considerável é perdida arrastada pelas águas da chuva até os rios ou transformada em gás por ação de microorganismos e liberados na atmosfera.

Qualquer combustão que ocorra na presença do ar atmosférico produz calor que favorece a reação química que combina o nitrogênio inerte com oxigênio e gera nitrogênio ativo, como por exemplo NO e NO2. Para se ter uma ideia, a queima da palha de cana, somente no estado de São Paulo, emite cerca de 46 mil toneladas de nitrogênio ativo na atmosfera, por ano.

Esse nitrogênio ativo foi produzido pela queima de folhas de cana que contêm nitrogênio na sua estrutura e também pelo calor gerado que converte o nitrogênio do ar em NO. Entretanto, a produção de nitrogênio ativo não se limita somente ao local da produção da cana-de-açúcar. Como o álcool será usado como combustível no automóvel, quantidades adicionais de nitrogênio ativo serão geradas nesse processo.

Vários estudos feitos no Estado de São Paulo já observaram como as águas arrastam nitrogênio fertilizante dos canaviais até córregos, rios e represas, onde ele degrada o ambiente aquático e as matas ciliares. Mas ao avaliar a concentração nas represas, os cientistas perceberam que somente o transporte pela água não explica toda a quantidade de nitrogênio encontrada.

O químico ambiental Arnaldo Cardoso, do Instituto de Química da Unesp, câmpus de Araraquara, suspeita que esse nitrogênio em excesso venha da atmosfera, na forma de uma poeira microscópica de nitrato de amônio. É como se fosse uma “chuva seca” de fertilizantes que se forma no ar a partir de gases emitidos pela queima da folhagem da cana feita antes da colheita, conforme a figura abaixo.


E você? O que acha disso tudo?

Referências:
CARDOSO, A.A.; MACHADO, C.M.D.; PEREIRA, E.A.  Biocombustível: o mito do combustível limpo. Química Nova na Escola, n.28, 2008
RIBEIRO, H. Queimadas de cana-de-açúcar no Brasil: efeitos à saúde respiratória. Revista Saúde Pública, v. 42, n. 2, 370-376, 2008

domingo, 6 de agosto de 2017

Antoine Lavoisier

Recentemente, encontrei em uma livraria o livro "Tratado Elementar de Química" de Lavoisier. Uma leitura fantástica...Trago a vocês a apresentação da Obra:
"O Tratado Elementar de Química, publicado em 1789, teve na sua época uma rápida difusão e foi editado em vários países, em diferentes línguas. Contudo, até agora, não havia uma única edição brasileira. A Madras Editora trás até você esta Obra que provocou mudanças, ou mais, uma revolução na Química. Escrita com a intensão de difundir as novas idéias e procedimentos experimentais, bem como estabelecer e consolidar a nova nomenclatura química, Lavoisier e seu grupo deram à Química o caráter de uma ciência moderna.

O termo "revolução" utilizado pelo próprio Lavoisier e disseminado por seus contemporâneos, guarda uma relação com o sentido político da Revolução Francesa. Acreditava que mudanças eram necessárias tanto na ciência como no sistema de governo, na agricultura e nas finanças.

Dispondo de vastos recursos pessoais, pode introduzir, na Química, técnicas de experimentação e de medida sofisticadas. Em particular, estabeleceu o uso sistemático de balanças aperfeiçoadas que possuíam tal precisão e sensibilidade, para a pesagem de pequenas quantidades de matéria, que poderiam ser comparadas às mais modernas. Passou a ser um símbolo do novo químico, ocupando o lugar do alambique e da retorta.

Desenvolveu trabalhos em conjunto com vários acadêmicos da época, tais como: Jean Bucquet, Pierre Simon Laplace, Jean-Baptiste Meusnier, Armand Seguim, Louis Bernard Guyton de Morveau, Claude Berthellot, Antoine François Fourcroy, René Just Hay, Henry Cavendish e outros. Mary-Anne Paulze-Lavoisier deve ser lembrada como sua principal colaboradora. Conhecia bem a língua inglesa e traduziu para o francês trabalhos publicados naquele idioma, além de ter desenhado os aparelhos utilizados por Lavoisier e que compõem esta Obra.

Foi um dos primeiros a demostrar que as reações químicas ocorrem sem variação de massa, como poderemos ver nesta Obra: em todas as operações da Arte e da natureza nada é criado: existe uma quantidade de igual matéria antes e depois do experimento. Devemos ressaltar que o tradicional enunciado: na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma não é de Lavoisier e sim do poeta latino Titus Lucrécius Carus (96-55 a.C.)que se baseou nas idéias do filósofo grego Epícuro (341-270 a.C.) sobre a Física.

Os trabalhos de Lavoisier sobre a nomenclatura química também foram imporantes. Os alquimistas utilizavam uma nomenclatura muito particular e de difícil memorização. Hoje utilizamos, na Química, uma nomenclatura internacional fundamentada num trabalho conjunto de Morveau, Lavoisier, Berthellot e Fourcroy. É importante citar que o brasileiro Vicente Coelho Seabra da Silva Telles, professor da Universidade de Coimbra, foi o primeiro a traduzir e adaptar a nomenclatura de Lavoisier para a língua portuguesa. Um ano antes da publicação do Tratado Elementar de Química, Silva Telles publicou a obra Elementos de Chimica.

Contribuiu com o regime revolucionário, participando de várias comissões, como a implantação do novo sistema de pesos e medidas. Contudo, não foi suficiente para apagar, na época das perseguições, as fortes ligações que mantivera com a monarquia.A sua função, nada simpática, de arrecadador de impostos, além de atitudes de vingança dos inimigos e o seu papel de destaque na Academia Real de Ciência, sistematicamente atacado por Marat (vetado por Lavoisier na eleição para a Academia), desencadearam um processo que ocasionou a sua condenação, inicialmente por peculato, passando depois para traição. Diante da petição redigia aos juízes para que poupassem a sua vida, visto tratar-se de um sábio, quer a traição que, Coffinhal, presidente do tribunal, tenha respondido com uma frase frequentemente citada, mas provavelmente apócrifa: a República não precisa de sábios. Lavoisier foi guilhotinado em 8 de maio de 1794.

Menos de um ano depois, o juiz e os jurados que o condenaram, além de Robespierre, também foram guilhotinados e o Liceu de Artes organizou um evento em sua homenagem, com a inauguração de um busto que tinha a inscrição escrita por Lagrange:

Vítima da tirania,amante respeitado das artes, ele continua vivo. Por seu gênio, continua servindo a humanidade. 

Diamantino Fernandes Trindade & Laís dos Santos Pinto Trindade 
Texto extraído da Apresentação do Livro "Tratado Elementar de Química" de Antoine-Laurent Lavoisier



Lavoisier e sua esposa

Isaac Newton e a história da maçã

Todo mundo sabe o significado desta imagem:


O que pouca gente sabe é que esta história é só um mito!! 


Não há como negar que o Sir. Isaac Newton foi um dos maiores cientistas (gênios) que já existiu.


Suas contribuições estão presentes no ramo da Matemática, com o cálculo infinitesimal, conhecido hoje como cálculo diferencial e integral, no ramo da óptica com a decomposição da luz branca, no campo da mecânica, com as três leis do movimento e principalmente no entendimento do mecanismo que mantém os planetas em suas órbitas: a gravidade. 


Não há como negar, a gravidade é universal...ela não foi descoberta porque ela já existia...ela foi estudada...as coisas caem...e essa história de Newton e a maçã também caiu!! Mas como surgiu essa história? Estudiosos declaram que esse mito ser originou com a sobrinha de Newton, Catharine Barton. É supostamente aceitável que o Sir. Isaac Newton tenha usado a maçã como uma forma de exemplificar o fenômeno das coisas cairem na Terra..."Imaginem uma bela e suculenta maçã..." e assim vai!! O fato é que a Sra. Barton casou-se com um membro do Parlamento Britânico, Sir. John Conduitt e que por meio dele conheceu o filósofo francês François Marie Arouet, também conhecido como Voltaire e assim, esse célebre filósofo imortalizou a história da maçã em sua obra Letter sur les anglais, de 1734. 


Mas cá entre nós: esse história da maçã é realmente muito emblemática...eu ainda fico imaginando esse cena. Newton, ao pé da macieira, descansando e logo uma maça?? Não poderia ser uma manga ou caqui? A maçã é uma fruta interessante. É a fruta oferecida para os professores...foi a fruta que Adão e Eva traiu a confiança de Deus, embora na Bíblia não fale exatamente da maça. E não podemos nos esquecer qual foi a fruta oferecida à Branca de Neve pela bruxa?? Os atributos maléficos da maça pode ser devido ao seu nome científico Malus pumila derivado da palavra latina que significa "mal" que de mal não tem nada!!


Bem ou mal, essa história toda me deu vontade de comer uma suculenta maça, que aliás, para nós professores é um ótimo aliado na manutenção das cordas vocais... Vai uma maça ai??


Referência: Alexandre Cherman & Bruno R. Mendonça. "Por que as coisas caem?"

Mendeleiev: O pai da tabela periódica


Mendeleiev  em seu gabinete
Dimitri nasceu  em Tobolsk, oeste da Sibéria, e era o caçula de 14 ou 17 irmãos (ninguém sabe ao certo) e pelo esforço de sua mãe, em 1847, Maria Dmitrievna, ,que após a morte de seu pai e o incêndio que destruiu a fábrica de vidros da família partiu para Moscow levando o pequeno Dmitri, com 15 anos e sua irmã, Liza.

Não tendo sucesso de matricular Dmitri em uma universidade de Moscow, a família se deslocou para a capital São Petersburgo, onde no Instituto Pedagógico Central conseguiu uma pequena bolsa do governo para estudar matemática e ciência natural.

"Abstenha-se de ilusões, insista no trabalho e não em palavras. Busque pacientemente a verdade divina e científica" foi os dizeres de sua mãe, em seu leito de morte.

Apesar de todas as dificuldades, mesmo sendo diagnosticado com uma tuberculose, onde lhe foi dado apenas alguns meses de vida, em 1855 Mendeleiev formou-se com professor secundário, ganhando ainda a medalha de ouro de melhor aluno.

Passando de docente em Simferopol, na Criméria, onde conheceu o renomado cirurgião Perogov que após um check-up diagnosticou sua doença como não fatal, Mendeleiev retornou a São Petersburgo onde aos 22 anos de idade foi designado como privat Dozent, uma espécie de professor que não é contratado nem remunerado, dependendo da contribuição pagas pelos alunos que frequentava seu curso.

Sentindo que ali, não poderia prosperar, em 1859 Mendeleiev conseguiu verba do governo para estudar no exterior. Seu primeiro destino foi Paris onde estudou sob os olhares de Henri Regnaut, o mais consagrado experimentalista da época e o primeiro a estabelecer que o zero absoluto era - 273 graus Celcius.

Após passar uma temporada em Paris, Mendeleiev deslocou-se para Heidelberg, Alemanha. Ali assistiu aulas de Gustav Kirchhoff e trabalhou com o grande parceiro dele, Robert Bunsen (inventor do bico de Bunsen, ainda encontrado em qualquer laboratório de química). Por trabalhar com Bunsen, Mendeleiev viu-se no lugar certo tendo acesso privilegiado com os últimos desenvolvimentos no campo dos elementos químicos e sobre os estudos para estabelecer um padrão para as massas atômicas dos elementos químicos.

Em 1861 Mendeleiev retorna a São Petersburgo assumindo o cargo de professor assistente no Instituto Técnico chegando até a escrever uma obra de química orgânica de 500 páginas por não haver um manual russo de química orgânica e posteriormente tornando-se professor titular em 1864.

Aos 32 anos, casado e pais de um casal de filhos, foi nomeado professor de Química Geral na Universidade de São Petersburgo, cargo bastante prestigioso para um jovem e grande conhecedor pelo seu conhecimento enciclopédico dos elementos químicos.

Além do cargo de professor, Mendeleiev dava consultorias para os produtores de queijo da Cooperativa Econômica  Voluntária de Tver. Em suas longas viagens de trem, Mendeleiev costumava passar o tempo jogando paciência sob seu baú de madeira apoiado em seus joelhos. Essa organização das cartas do baralho em ordem descendente despertou-o.

Diz a lenda, que em uma manhã, Mendeleiev, em seu gabinete, escreveu nas superfícies de cartões brancos de papel o símbolo dos 63 elementos químicos conhecidos, bem como suas massas atômicas e algumas propriedades características dispondo-os em grupos.

Após inúmeras tentativas e exausto deste afazer e percebendo que certas propriedades similares repetindo-se em intervalos regulares, Mendeleiev debrucou-se sobre a mesa, repousando a cabeça em seus braços, adormeceu...e teve um sonho!

Agrupamento dos elementos conhecidos por Mendeleiev. Note
os elementos de número de massa 68 e 70 previstos
pelo químico, que posteriormente foram descobertos como Gálio
e Germânio.

Em suas palavras "Vi num sonho uma tabela em que todos os elementos se encaixavam como requerido. Ao despertar, escrevi-a imediatamente numa folha de papel." Ele compreendeu que os elementos eram organizados na ordem de suas massas atômicas, suas propriedades se repetiam em uma série de intervalos periódicos no qual chamou sua descoberta de Tabela Periódica dos Elementos.

Sua genialidade não se limitou somente em organizar os elementos. Ele fez previsões de propriedades físicas e químicas de elementos ainda não descobertos na época, como o Gálio e o Germânio.

Essa genialidade também foi posto a prova em uma das maiores paixão russa: A Vodka. Esta bebida que em russo significa "aguinha", e foi criada em 1893, foi aperfeiçoada por Mendeleev. Após um ano de estudo, chegou-se a fórmula perfeita desta paixão russa que apresenta 40% de álcool (etanol) e 60% de água a qual foi registrada por lei a fórmula proposta pelo químico russo.

Mendeleiev morreu em 2 de Fevereiro de 1907, mas o que ele descobriu em 17 de fevereiro de 1869 viverá para sempre. Em 1955 o elemento químico 101 foi descoberto, tomando seu lugar na tabela periódica e levando o nome de Mendelévio (Md), sendo este um elemento instável, sujeito a fissão espontânea, exatamente como temperamento do gênio citado neste texto.


Essa história pode ter sido só uma lenda, mas de qualquer maneira, não deixa de ser fascinante!!

Fonte: O sonho de Mendeleiev, de Paul Strathern

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Michael Faraday

Michael Faraday (1791-1867)
Físico e reverenciado químico inglês, nascido em Newington, Surrey, subúrbio de Londres, descobridor da indução eletromagnética (1831) e cujos conceitos da física experimental e do eletromagnetismo abriram caminho para o progresso da eletrônica e da eletrotécnica. Suas concepções teóricas, entre as quais as que tratam das linhas de força, serviram de base aos trabalhos de Maxwell para o estabelecimento da moderna teoria das ondas eletromagnéticas. 

Filho de um pobre ferreiro dos 13 aos 20 anos trabalhou como encadernador e, enquanto isso, autodidata, lia tudo que lhe era entregue para encadernação, principalmente os textos científicos, sobretudo os de química. Passou a freqüentar a Sociedade Filosófica e depois a Royal Instituition, onde chamou a atenção de Humphrey Davy, passando a ser seu assistente no laboratório da Royal Institution e também nas suas viagens ao exterior do país. Apesar de poucos conhecimentos teóricos, seu espírito de experimentação o levou a importantes descobertas para a química e a física. Publicou seu primeiro trabalho de notoriedade (1816), sobre análises químicas de determinados calcários. 

Atraído pela experiência do físico dinamarquês Oersted, que demonstrou a propriedade da corrente elétrica de modificar a direção de uma agulha magnética, descobriu o efeito contrário dos magnetos sobre os condutores e com essa experiência, fundamental para o desenvolvimento tecnológico posterior, criou o primeiro motor eletromagnético (1821). 

Especialista na pesquisa com fluxo de eletricidade através dos líquidos, descobriu a eletrólise (1823). No mesmo ano conseguiu liquefazer o gás cloro com o abaixamento da temperatura e aumento da pressão, procedimento em que seu mestre havia fracassado anteriormente, causando-lhe até uma certa dose de ciúmes e, a partir daí, conseguiu liquefazer praticamente todos os gases conhecidos. 

No ano seguinte (1824), graças à notoriedade conquistada por suas descobertas, entrou para a Royal Society. Em prosseguimento de suas experiências, em isolou o benzeno (1825) e, retomando os estudos sobre o eletromagnetismo, descobriu a indução eletromagnética (1831), um fenômeno, já entrevisto por Arago e por Ampère, só então foi definitiva e cientificamente explicado. 

A formulação da lei da indução eletromagnética, demonstrou a possibilidade da transformação direta de energia mecânica em energia elétrica (quase que simultaneamente com Joseph Henry, nos EEUU). Através de experiências com limalhas de ferro, descobriu e designou as linhas de força (1831), e esclareceu a noção de energia eletrostática. 

Foi o responsável pela introdução no Conselho de Whewell (1833) de uma nova terminologia na química, que é empregada até hoje, como eletrólise, íons, ânion, anodo, cátion, catodo, etc. Formulou as leis da eletrólise (1834) e, por isso, denominou-se faraday a quantidade de eletricidade necessária para libertar um equivalente-grama de qualquer substância. 

Definiu corrente elétrica como resultado da vibração provocada pelas rápidas alternâncias de tensão nas moléculas dos bons condutores (1838). Morreu em Hampton Court, Middlesex.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Orientações para o TCC

Esta postagem é parte da postagem do Prof. Dr. Ivan Cláudio Guedes, Geógrafo e Pedagogo, professor do curso de Pedagogia da Faculdade Progresso.

O professor Ivan elaborou algumas vídeo-aulas (muito úteis) sobre a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso, algo que deixa muitos alunos formandos sem dormir por meses!!!

Além dessas, há também dicas práticas para a elaboração da apresentação oral do TCC, algo que também devemos nos atentar.

Assistam aos vídeos abaixo.








Referencia: GUEDES, I. C. Apresentar um TCC para a banca. Disponível em: http://www.icguedes.pro.br/apresentar-um-tcc-para-a-banca/ Acesso em 09/05/2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

Os novos Elementos da Tabela Periódica

A IUPAC anuncia a verificação das descobertas dos quatro novos elementos químicos: O 7º período da tabela periódica dos elementos está completo.

O quarto / IUPAP Grupo de Trabalho Conjunto IUPAC (JWP) sobre a prioridade dos créditos para a descoberta de novos elementos reviu a literatura relevante para os elementos 113, 115, 117, e 118 e determinou que os pedidos de descoberta desses elementos fossem cumprida, de acordo com os critérios para a descoberta de elementos do Grupo de Trabalho Transfermium IUPAP / IUPAC (TWG). Estes elementos completam a 7ª linha da tabela periódica dos elementos, e os pesquisadores do Japão, da Rússia e dos EUA serão agora convidados a sugerir os seus nomes e símbolos permanentes. Os novos elementos e as prioridades atribuídas da descoberta são as seguintes:


  • Elemento 113 (Nihônio, Nh)

A colaboração da equipe RIKEN no Japão tenham cumprido os critérios para o elemento Z = 113 e foram convidados a propor um nome permanente e símbolo.

  • Elementos 115 (Moscóvio, Mc)
  • Elemento 117 (Tenessino, Ts)
  • Elemento 118 (Oganessônio, Og)

A colaboração entre o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear, em Dubna, na Rússia; Laboratório Nacional Lawrence Livermore, Califórnia, EUA; e Oak Ridge National Laboratory, Oak Ridge, Tennessee, EUA cumpriram os critérios para o elemento Z = 115, 117 e foram convidados a propor nomes e símbolos permanentes.

A colaboração entre o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear, em Dubna, na Rússia e Laboratório Nacional Lawrence Livermore, Califórnia, EUA cumpriram os critérios para o elemento Z = 118 e foram convidados a propor um nome permanente e símbolo.


As prioridades para quatro novos elementos químicos estão sendo introduzidos em simultâneo, após a verificação cuidadosa das descobertas e prioridades. As decisões são detalhadas em dois relatórios do Grupo de Trabalho Conjunto (JWP), que inclui especialistas vindos de IUPAC e IUPAP (União Internacional de Física Pura e Aplicada). Estes relatórios serão publicados em uma edição de 2016 da revista IUPAC Química Pura e Aplicada (PAC).

O JWP reviu a literatura pertinente pertencente a várias reivindicações destes novos elementos. O JWP determinou que a colaboração RIKEN ter cumprido os critérios para a descoberta do elemento com número atômico Z = 113. Vários estudos publicados 2004-2012 foram interpretados como sendo suficientes para ratificar a descoberta e as prioridades.

No mesmo relatório do PAC, o JWP também concluiu que o trabalho de colaboração entre cientistas do Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear, em Dubna, na Rússia; do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, Califórnia, EUA; e de Oak Ridge National Laboratory, Oak Ridge, Tennessee, EUA (as colaborações Dubna-Livermore-Oak Ridge), a partir de 2010, e posteriormente confirmado em 2012 e 2013, reuniram-se os critérios para a descoberta dos elementos com número atômico Z = 115 e Z = 117.

Finalmente, em um artigo separado PAC a colaboração Dubna-Livermore começou em 2006 é relatado como tendo cumprido os critérios para a descoberta do elemento Z = 118.

Os nomes e símbolos propostos foram verificados pela Divisão de Química Inorgânica da IUPAC pela sua consistência, traduzido para outras línguas, possível uso histórico prévia para outros casos, etc. 

Novos elementos podem ser nomeados após um conceito mitológico, um mineral, um lugar ou país , uma propriedade ou um cientista. 

terça-feira, 15 de março de 2016

Os Objetos de Aprendizagem (OA)



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Objeto de aprendizagem (OA) é uma unidade de instrução/ensino reutilizável. De acordo com o Learning Objects Metadata Workgroup, objetos de aprendizagem (Learning Objects) podem ser definidos por "qualquer entidade, digital ou não digital, que possa ser utilizada, reutilizada ou referenciada durante o aprendizado suportado por tecnologias".

O Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia mantém um Repositório de Objetos de Aprendizagem e possui objetos educacionais de acesso público, em vários formatos e para todos os níveis de ensino. Acesse os objetos isoladamente ou em coleções.

Nesse momento o Banco possui 19.842 objetos publicados, 174 sendo avaliados ou aguardando autorização dos autores para a publicação.

É uma ótima opção para alunos e professores acessarem.

Além deste, há um local onde é possível encontrar diversas simulações interativas de ciências (química, física e biologia) e matemática.

Trata-se do site PhET (Physic Education Technology) . O PhET é um programa da Universidade do Colorado fundado pelo ganhador do Nobel de Física de 2001, o físico Carl Wieman, que pesquisa e desenvolve simulações na área de ensino de ciências e as disponibiliza em seu portal para serem usadas on-line ou serem baixadas gratuitamente pelos usuários que podem ser alunos, professores ou mesmo curiosos.
Clique na imagem

Os fundadores do PhET acreditam que suas abordagem com base em pesquisa incorpora descobertas de pesquisas prévias, habilitando os alunos a fazerem conexões entre os fenômenos da vida real e a ciência básica, aprofundando a sua compreensão e apreciação do mundo físico.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A Metodologia Científica



Pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informação suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema.

O Método Científico
A pesquisa é desenvolvida mediante o concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização cuidadosa de métodos, técnicas e outros procedimentos científicos. Na realidade, a pesquisa desenvolve-se ao longo de um processo que envolve inúmeras fases, desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados.

Objetivos das pesquisas

Há muitas razões que determinam a realização de uma pesquisa. Podem, no entanto, ser classificadas em dois grandes grupos: razões de ordem intelectual e razões de ordem prática. As primeiras decorrem do desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer. As últimas decorrem do desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficiente ou eficaz.

Tem sido comum designar as pesquisas decorrentes desses dois grupos de questões como “puras” e “aplicadas” e discuti-las como se fossem mutuamente exclusivas. Essa postura é inadequada, pois a ciência objetiva tanto o conhecimento em si mesmo quanto as contribuições práticas decorrentes desse conhecimento. Uma pesquisa sobre problemas práticos pode conduzir à descoberta de princípios científicos. Da mesma forma, uma pesquisa pura pode fornecer conhecimentos passíveis de aplicação prática imediata.

Necessidades das pesquisas

Qualidades pessoais do pesquisador.
O êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades intelectuais e sociais do pesquisador, entre as quais são:

  • conhecimento do assunto a ser pesquisado;
  • curiosidade;
  • criatividade;
  • integridade intelectual;
  • atitude autocorretiva;
  • sensibilidade social;
  • imaginação disciplinada;
  • perseverança e paciência;
  • confiança na experiência.
  • Recursos humanos, materiais e financeiros.



É muito difundida a visão romântica de ciência que procura associar as intenções e descobertas exclusivamente à genialidade do cientista. Não há como deixar de considerar o papel capital das qualidades pessoais do pesquisador no processo de criação científica, mas é também muito importante o papel desempenhado pelos recursos de que dispõe o pesquisador no desenvolvimento e na qualidade dos resultados da pesquisa. Ninguém dúvida de que uma organização com amplos recursos tem maior probabilidade de ser bem-sucedida num empreendimento de pesquisa que outra cujos recursos sejam deficientes.

Por essa razão, qualquer empreendimento de pesquisa, para ser bem-sucedido, deverá levar em consideração o problema dos recursos disponíveis. O pesquisador deve ter noção do tempo a ser utilizado na pesquisa e valorizá-lo em termos pecuniários. Deve prover-se dos equipamentos e materiais necessários ao desenvolvimento da pesquisa. Deve estar também atento aos gastos decorrentes da remuneração dos serviços prestados por outras pessoas. Em outras palavras, isso significa que qualquer empreendimento de pesquisa deve considerar os recursos humanos, materiais e financeiros necessários a sua efetivação.

domingo, 6 de março de 2016

A queda do Vitalismo e a química do Carbono

Voltando cerca de 3 bilhões de anos atrás, a terra tinha boas condições para começar sua vida...temperatura ideal e estável, energia solar abundante, massa suficiente para reter uma atmosfera propícia e os poucos ingredientes que compões basicamente toda forma de vida: Carbono, Hidrogênio, Oxigênio e Nitrogênio. Acredite...esses quatro elementos estão presentes em 98% dos tecidos vivos.
Esquema da química da evolução da vida
Fonte: http://www.mma.gov.br/port/cgmi/nossoamb/agua/agua/ndx04.html
Como a vida começou? Segundo Alexandre Oparin, químico russo, as primeiras moléculas orgânicas, chamados de precursores da vida, aparecerem em um mundo que dispunha de pouco ou nenhum oxigênio. A atmosfera era, então, formada por vapor de água, dióxido de carbono, nitrogênio, amônia e metano. O sol iluminava a Terra, nuvens formavam-se, os raios e a chuva caíam. As substâncias radioativas decaíam, adicionando sua energia à do ambiente. Segundo Oparin, foi neste ambiente hostil e caótico que as primeiras moléculas orgânicas formaram-se e vida parecia possível. Os gases decompuseram-se e as reações químicas mais complexas foram ocorrendo.


Jöns Jacob F. Berzellius
(1779-1848)
Em 1807, o químico sueco Jöns J. F. von Berzellius foi o primeiro a utilizar o termo composto orgânico para descrever substâncias extraídas, exclusivamente, de material vivo, ou seja, de sistemas organizados. Berzellius foi médico, químico e professor sueco, nascido em Väfversunda Sörgard, próximo a Linkoping. Foi ainda inventor dos símbolos químicos e considerado um dos fundadores da Química moderna. Desenvolveu seus primeiros estudos em Linkoping, formou-se em medicina na Universidade de Uppsala e doutorou-se Universidade de Estocolmo em 1802. Com seu interesse por química das correntes elétricas, publicou resultados de pesquisas sobre os efeitos do galvanômetro e em 1807 tornou-se professor de botânica e farmácia em Estocolmo. 

Berzellius acreditava que os compostos orgânicos possuíam uma "força vital", além dos elementos químicos que os compunham, e que seria impossível sintetizar compostos orgânicos a partir dos seus elementos tanto quanto converter a matéria inorgânica em uma criatura viva. 


Frederich Wöhler
(1800-1882)
Entretanto, a popularidade da teoria da "força vital" ou "teoria do vitalismo" foi diminuindo na medida que as evidências analíticas iam se acumulando e mostrando que as leis usuais válidas para os materiais inorgânicos, tais como as leis das proporções múltiplas, funcionavam também para os compostos orgânicos.

A teoria da força vital sofreu um severo golpe em 1828, quando um químico alemão,nascido em Eschersheim, próximo de Frankfurt, Frederich Wöhler, discípulo e grande amigo de Berzellius, descobriu que a evaporação de uma solução aquosa do cianato de amônio, um sal inorgânico, produzia uréia, idêntica ao produto natural. Era a síntese de um composto orgânico típico, a partir de um composto inorgânico típico, sem a interferência de um organismo vivo que lhe comunicasse a "força vital". Wöher estudou medicina na Universidade de Heidelberg, mas mudou para química em 1824 e deu outras contribuições para química como a obtenção do o alumínio metálico a partir da argila no ano de 1827 e descobriu o berílio e a obtenção do acetileno a partir do carbonato de cálcio em 1828. Também se dedicou bastante à divulgação da Química: traduziu para o alemão o Tratado de Química de Berzelius e fundou, junto com Liebig, a revista Anais de Química e Farmacologia.

Então, hoje conhecemos a Química Orgânica, como a Química do Carbono. Mas por que o carbono? O carbono é o elemento essencial, isto é, em torno do qual desenvolveu-se a química da vida. AS proteínas por exemplo, apenas um dos tipos de compostos de carbono, existem em uma variedade surpreendente de forma e funções. São moléculas complexas, com massas moleculares que vão de alguns milhares a milhões. Conhece-se a estrutura completa de cerca de um pouco mais de 50 proteínas, e só recentemente foi possível sintetizar uma das mais simples em laboratório. 

Mas por que o carbono é tão apropriado aos processos vitais? Por que nenhum dos outros elementos conhecidos? Encontramos a resposta quando examinamos a estrutura atômica do carbono, pois é esta estrutura que lhe permite a formação de uma enorme variedade de compostos muito maior do que dos demais elementos. O carbono apresenta 4 elétrons na camada de valência (última camada). Cada um desses elétrons pode ser compartilhado com outros elementos que sejam capazes de completar suas camadas eletrônicas por meio de ligações covalentes. Nitrogênio, Oxigênio e Hidrogênio estão entre os elementos que podem se ligar desta maneira aos átomos de Carbono.


A característica mais importante do átomo de carbono, que o distingue de todos os demais elementos (exceto silício) e que explica seu papel fundamental na origem da evolução da vida, é sua capacidade de partilhar elétrons com outros átomos de carbono para formar ligações carbono-carbono. Este fenômeno simples éa base da Química Orgânica. É ele que permite a formação de estruturas lineares, ramificadas, cíclicas com a participação de hidrogênio, oxigênio e nitrogênio e outros átomos capazes de formar ligações covalentes. Apenas aqueles poucos elementos que contém quatro elétrons em sua camada de valência são capazes de formar ligações covalentes repetitivas com o mesmo elemento. Destes, silício é o único elemento, além do carbono, capaz de formar tais ligações de forma semelhante. Porém, compostos contendo ligações silício-silício não resistem a atmosfera oxigenada da Terra, oxidando-se para formar sílica (óxido de silício), o principal constituinte da areia e do quartzo, materiais incapazes de sustentar a vida. Assim, pelo menos em nosso planeta, apenas o carbono é capaz de fornecer a espinha dorsal dos compostos moleculares dos seres vivos.



Exemplos de alguns compostos orgânicos

Fonte: ALLINGER, N. L. Química Orgânica. LTC ed. 1976.